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Arsenal da esperança: a história de quem acolhe a cidade há quase 30 anos

  • Foto do escritor: Portal EntreFocos
    Portal EntreFocos
  • 4 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Camilla Gonçalo

Supervisão: Prof. Antônio Iraildo Alves de Brito


Desde sua criação em 1996, o Arsenal da Esperança já ofereceu abrigo, alimentação, cursos e apoio social a mais de 77 mil homens em situação de rua, tornando-se o maior projeto de acolhimento de São Paulo.


Com origem no coração solidário de dois jovens italianos, Ernesto Olivero e Maria, a história do SERMIG (Servizio Missionario Giovani) - grupo que deu origem ao “Arsenal da Esperança” - se inicia em 1964, na cidade de Turim - Itália. “Eles foram para rua para entregar cobertores e tornaram isso uma constante, até que cada vez mais jovens foram chegando e eles se tornaram um grande grupo de jovens missionários”, conta Kamila Ressurreição, voluntária do Arsenal. 


Apesar do apoio com roupas e alimentação, foi uma pergunta simples que mudou tudo para Ernesto: “Onde você vai dormir esta noite?”. A inquietação provocada por essa frase o levou a enxergar, em um antigo arsenal de armas da cidade, a possibilidade de transformá-lo em uma casa de acolhida, o que mais tarde se tornaria o “Arsenal da Paz”. 


Ao conhecer essa história numa viagem a Turim, o bispo brasileiro Dom Luciano resolveu trazer o projeto de acolhimento para o Brasil. De volta ao país, encontrou o espaço ideal: a antiga Hospedaria do Brás, fundada em 1888, que por décadas foi porta de entrada para imigrantes europeus em busca de um recomeço. Após uma reforma, as pessoas foram chegando, e hoje o espaço acolhe mais de 1200 homens todos os dias. 


O símbolo do Arsenal é uma bandeira formada por pequenas bandeiras de vários países, com a palavra PACE — “paz”, em italiano — ao centro. “A simbologia disso tudo é que eu posso estar em paz, eu posso ter oito milhões na minha conta, mas se você estiver com sede, não adianta nada todo o meu dinheiro. Não precisa fazer o ‘pix’ de oito milhões, você pode apenas me dar água (...) Acolher é muito mais do que apenas dar dinheiro”, conta Kamila. 


O Arsenal da Esperança é a maior casa de acolhida de São Paulo. O espaço, compartilhado com o Museu do Imigrante, ocupa 20 mil metros² e abriga refeitório, dormitórios, biblioteca e diversas áreas de convivência. Na chegada, cada pessoa passa por uma triagem que inclui conversa com assistente social, psicólogo e, quando necessário, atendimento médico.


Os espaços são amplos, bem ventilados e cuidadosamente organizados. O zelo é visível em cada detalhe, guiado pelo lema criado pelos fundadores: “O Bem deve ser bem feito.” No Arsenal circula também uma moeda própria, o Ars, usada para pequenas compras e serviços internos, resultado do esforço de quem recicla. Ali, a rotina estruturada, com horário para acordar, fazer as refeições e dormir, não é apenas disciplina, mas parte essencial do processo de ressocialização, ajudando cada acolhido a recuperar ritmo, autonomia e sentido de pertencimento. 


Todo o trabalho é sustentado por voluntários. Hoje, o Arsenal reúne cerca de 110 colaboradores voluntários, além dos cinco missionários italianos que também residem na casa. A organização vive majoritariamente de doações, mas mantém parcerias importantes com a Prefeitura de São Paulo e com instituições de ensino como Mackenzie e Anhembi Morumbi. Mesmo contando com apoio público, o Arsenal trabalha para preservar sua identidade, missão e valores. “Nós temos o nosso jeito, e a nossa identidade é esta, e nós estamos aqui por um princípio que vai além da parceria. Se amanhã essa parceria não existir mais, nós continuaríamos de alguma forma”, conta Padre Simone Bernardi, diretor do Arsenal. 


Além das missas semanais, a casa também se transforma em espaço para exposições de arte, apresentações musicais e uma variedade de cursos de capacitação, que vão de jardinagem e hidráulica à construção civil e panificação. O local abriga ainda um bazar com roupas, livros e móveis. Os acolhidos podem participar de projetos e eventos como “Floresta que Cresce”, “Leitura Contínua da Palavra”, “Leitura Conjunta da Pequenez” e até do bloco de Carnaval da casa.


Mais do que oferecer serviços básicos e capacitação profissional, o espaço entrega algo que vai além: a esperança. “Procuramos dar esperança, o que parece uma palavra meio nas nuvens, mas que na realidade é bem concreta para essas pessoas, de uma forma tal que elas possam se resgatar, e resgatar a própria vida, a própria dignidade, os próprios sonhos e tudo aquilo que de mais importante elas têm.” revela Padre Simone. 


Informações e Contato

O Arsenal da Esperança está localizado na Rua Dr. Almeida Lima, 900 no Bairro da Mooca e fica aberto 24 horas. A Fraternidade da Esperança do SERMIG oferece visitas guiadas ao Arsenal e também a participação de voluntariado. Solicite o agendamento enviando um e-mail para arsenaldaesperanca@sermig.org.br. Para mais informações ligue no telefone: 11 2292-0977.






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